O relógio digital sobre o criado-mudo marcava 03:45 da manhã, mas ela ainda não havia dormido nada. Abraçou os joelhos e absorveu o som da chuva que caia ferozmente sobre o telhado. Se sentia cansada e deprimida, como se não suportasse ser ela mesma. Não sabia porquê se sentia dessa forma, mas pensar num porquê só a deixava pior.
Ela pegou o celular e colocou os fones no último volume, procurando abafar seus próprios pensamentos. (...)
Valéria Mares
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
O canto da flor sem encanto
Não havia mais encanto;
O que jazia era o canto.
A lamúria rouca,
A fúria reprimida.

A voz suave que cantava,
A lágrima zombeteira que escorregava.
A face se franzia,
Onde somente tristeza havia.
O encanto se foi ...
Ah, se fosse só o encanto!
Tudo se fora, nada restara.
Somente sua voz que ecoava.
Valéria Mares
O que jazia era o canto.
A lamúria rouca,
A fúria reprimida.

A voz suave que cantava,
A lágrima zombeteira que escorregava.
A face se franzia,
Onde somente tristeza havia.
O encanto se foi ...
Ah, se fosse só o encanto!
Tudo se fora, nada restara.
Somente sua voz que ecoava.
Valéria Mares
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Quinze
Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra frente vai ser diferente.
- Carlos Drummond de Andrade
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra frente vai ser diferente.
- Carlos Drummond de Andrade
sábado, 18 de agosto de 2012
Noite
Era interessante. Durante o dia, preenchia aquele vazio com o barulho das pessoas. Durante a noite, o silêncio me trazia toda aquela saudade de volta.
- Qrquestrando
A menina e seu menino
Da janela de seu quarto, ela o via passar. Aquele menino de andar despreocupado, fones de ouvido e all star. Parecia tão forte, tão despreocupado ... E inatingível.
Ela o observou, como sempre fazia a tantos anos. Sem nunca ter dito ou demostrado, ela o amava. 'Só porque ninguém sabe, não quer dizer que não seja verdadeiro', pensava menina.
Sozinha em sua janela, ela desejou que ele soubesse. Soubesse que havia alguém que o amava. Um desejo tão forte, que a fez sentir dor. É assim, quando desejamos alguém tanto, sem poder ter, dói. Dói muito.
A menina abraçou os joelhos. A umidade em seu olhos escorreu delicadamente pelo rosto, enquanto seu menino virava a esquina.
Valéria Mares
Ela o observou, como sempre fazia a tantos anos. Sem nunca ter dito ou demostrado, ela o amava. 'Só porque ninguém sabe, não quer dizer que não seja verdadeiro', pensava menina.
Sozinha em sua janela, ela desejou que ele soubesse. Soubesse que havia alguém que o amava. Um desejo tão forte, que a fez sentir dor. É assim, quando desejamos alguém tanto, sem poder ter, dói. Dói muito.
A menina abraçou os joelhos. A umidade em seu olhos escorreu delicadamente pelo rosto, enquanto seu menino virava a esquina.
Valéria Mares
Alguma coisa ausente
Não me solte
Toque minhas mãos.
Um pedido simples? Talvez.
Só não me dê promessas vãs;
Preciso do seu toque,
Para meu coração não endurecer.
Toque minhas mãos e me olhe,
Toque minhas mãos e não me solte.
Valéria Mares
Dia chuvoso
Outro dia chuvoso;
Outra névoa a cobrir tudo;
Outro frio a envolver meu corpo.
Mais gotas cintilantes carregando lembranças.
Inúmeras dores num peito só,
Melodias me tocando fundo,
Embalando a saudade
Que rodopia ao meu redor.
Valéria Mares
Escrever ...
Resolvi voltar a escrever.
Não pra agradar ninguém ou por sentir falta de alguém, mas para, como disse Lispector, salvar minha própria vida. Para explodir a ira da fera dentro de mim em palavras que percorrem longas estradas e me trazem respostas.
Para não perder minha frágil sanidade.
Ao contrário do que eu mesma pensava, eu não escrevo para ninguém, escrevo para mim. Sempre. Mesmo que não seja a minha intenção. Apesar de terem vida própria, minhas palavras sempre voltam para mim. Elas carregam memórias, sentimentos, dores e lágrimas.
Estava sentindo tanta coisa pesar em mim, que tive a necessidade de escrever. E não posso mais parar. Não. Nunca mais.
Valéria Mares
Não pra agradar ninguém ou por sentir falta de alguém, mas para, como disse Lispector, salvar minha própria vida. Para explodir a ira da fera dentro de mim em palavras que percorrem longas estradas e me trazem respostas.
Para não perder minha frágil sanidade.
Ao contrário do que eu mesma pensava, eu não escrevo para ninguém, escrevo para mim. Sempre. Mesmo que não seja a minha intenção. Apesar de terem vida própria, minhas palavras sempre voltam para mim. Elas carregam memórias, sentimentos, dores e lágrimas.
Estava sentindo tanta coisa pesar em mim, que tive a necessidade de escrever. E não posso mais parar. Não. Nunca mais.
Valéria Mares
domingo, 18 de março de 2012
A árvore do amor
Aquela árvore é muito mais do que uma simples madeira com galhos cobertos por folhas.
Aquela e somente ela me faz lembrar da única beleza existente,
Que é te amar.
Aquela é a prova real, concreta de que a todo tempo e o tempo todo,
Eu só penso em você.
E mesmo se as folhas caírem ao chão,
Mesmo que o vento as leve para bem longe,
O nosso amor ainda vai estar lá.
(Fiz questão de colocar nossos nomes nela.)
E outras folhas viram.
Autora: Juscelia Reis
P.s.: Jú, sinto sua falta. Sinto tanto a sua falta que acho que vou morrer. Não se esqueça de mim, por favor.
Aquela e somente ela me faz lembrar da única beleza existente,
Que é te amar.
Aquela é a prova real, concreta de que a todo tempo e o tempo todo,
Eu só penso em você.
E mesmo se as folhas caírem ao chão,Mesmo que o vento as leve para bem longe,
O nosso amor ainda vai estar lá.
(Fiz questão de colocar nossos nomes nela.)
E outras folhas viram.
Autora: Juscelia Reis
P.s.: Jú, sinto sua falta. Sinto tanto a sua falta que acho que vou morrer. Não se esqueça de mim, por favor.
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