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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Sobre ser

Eu sou o que você teme, mas, ao mesmo tempo, admira. Eu sou a coragem que você reprime, o impulso contido e sufocado dentro de você. Me julgas por não conseguires ser como eu, por não conseguir se libertar, como eu. Eu sou o que destrói seu ego, esmaga sua confiança, nada em tuas lágrimas com calma e tranquilidade. Não te quero mal, só quero que aprenda, que seja. Gente que é deixa os outros serem também. Gente incapaz de ser atormenta quem tem essa ousadia. Eu sou eu mesma e isso te incomoda.
Seja e deixe ser. Descubra teu interior e mergulhe nele sem medo ou receio, sem culpa, sem ouvir conselho. Meu medo é o mundo de farsas, de máscaras que podem ou não cair. Meu medo é de ser verdadeira em um mundo de mentiras.




Valéria Mares

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Perdas

Se dizia poeta,
mas perdia as palavras.
Se dizia bonita,
mas perdia os reflexos.
Se dizia feliz,
mas perdia os sorrisos.
Se dizia forte,
mas perdia a coragem.
Se dizia inteligente,
mas perdia as contas
de quantas perdas
teve que enfrentar.




       Valéria Mares

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Chuva de lembranças

A chuva me lembrava das noites em que passávamos na janela do seu apartamento vendo as luzes da cidade, ouvindo buzinas e aviões decolando. Tua voz era mansa a me contar histórias da infância, travessuras que nunca vou esquecer. Nossos risos ecoam na minha mente enquanto cada lembrança cai como gota de chuva na minha memória. Saudade é como um temporal em cima da gente, aquele desconforto gelado no coração de quem perdeu algo importante pelas ruas ensopadas e desertas de uma cidade cheia.

                       Valéria Mares


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Promessas não me satisfazem

E promessas não me satisfazem mais como antigamente. Tudo que eu fazia era sonhar, imaginar e para mim já estava bom. Mas, hoje, vendo o passar dos anos e o correr do mundo, nada disso significa mais nada. Sonhos só são bons quando se tornam metas. E minha meta hoje é parar de imaginar e colocar as coisas em prática de uma vez. Não me faça promessas, elas não me tocam mais. Palavras, escritas ou faladas, não tem poder sozinhas. Por isso, guardo meus sonhos em caixinhas, prontas para serem abertas quando cada chance surgir.






                     Valéria Mares

sábado, 25 de abril de 2015

Paraíso negro


Não sentia vontade de escrever, nem de fazer nada. Era uma daquelas dores que te fazem engasgar com lágrimas sem motivo. Uma dor sem motivo, que mata e faz descer ao fundo do posso. Sozinha, sempre sozinha. Sozinha nas batalhas e guerras, contando apenas com ela mesma e suas preparações. Derramando sangue sem apoio, sem consolo. E ninguém entende sua dor. E ninguém diz. E ninguém sabe. E todos se vão uma hora ou outra, inventando motivos, inventando desculpas. Sozinha de novo. Vivendo num paraíso negro de dores sem sentido.




                              Valéria Mares

sábado, 18 de abril de 2015

Escrever não é talento

Escrever não é talento, é castigo. É comer e não poder engolir, ter que vomitar. É ferida que não sara e sangra em versos. Escrever é ver cada pequena coisa do mundo penetrar-lhe o âmago, afiadas. Escrever é o preço que se paga por enxergar o mundo. É como olhar para o sol e, mesmo com a dor, continuar a olhar. Escrever é tortura com gosto de café amargo. Escrever não é talento, é um carma que todo aquele que sente sua humanidade plenamente tem que pagar.





                     Valéria Mares

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O tempo

Não sou muito de escreve textos motivacionais e essas coisas, mas há momentos na vida em que nos sentimos tão plenos e inteiros que escrever sobre qualquer outra coisa é quase impossível. Começo falando sobre o tempo, o grande Deus que rege nossas vidas, Cronos. O julgamos tão mal, não acham? Logo aquele que mais nos ensina, nosso grande professor. O tempo me ensinou que o mundo gira, que as coisas se movem, oscilam. Então, deixe que o tempo passe, deixe que sua fúria o consuma, como me consumiu. Os anos me ensinaram serenidade, plenitude e paciência. Com o tempo eu descobri que nem tudo é matéria, que a mente envelhece mais rápido. Hoje minha mente tem 70 anos e volta e meia me diz a coisa certa a fazer. Ame o tempo, valorize-o. Ninguém é feliz em cada segundo, mas todos nós podemos tornar cada segundo mais feliz, apena olhando para eles com olhos ternos. Nesse instante, escrevendo esse texto, estou feliz. Quanto ao próximo, só
o tempo me mostrará.



                   Valéria Mares

domingo, 5 de abril de 2015

Feita de cores

Qualquer compreensão não me é bem vinda. Eu não gosto de ser compreendida, gosto de ser sentida, entende? A compreensão gera um desconforto em mim. Como alguém pode me compreender se nem eu mesma o faço? Impossível. Então não venha me dizer que me entende, que conhece os segredos por trás do meu cabelo volumoso, do meu olhar selvagem e do meu batom vermelho, porque é mentira. Você vê apenas uma imagem pintada de mim, entretanto, já parou para pensar em quantas cores foram misturadas para se chegar ao meu tom? Sou rubra de corpo e alma, querido, sou um vermelho quase líquido de outras cores. Sou da cor que eu quiser. Eu me pinto, borro e choro. Quando tiver desvendado o segredo das cores, volte aqui e diga que me compreende, será mentira, mas estará no caminho certo.




                       Valéria Mares

Medo morto

Morreu em mim naquela noite solitária. Morreu dentro da minha carne, dos meus ossos. Sangrou, tingindo do mais puro e lindo vermelho todo o meu corpo magro e branco. Matei-o com a adaga mais afiada, guardada virgem por anos de existência da minha alma. Penetrei-lhe com a lâmina até o líquido rubro espalhar-se graciosamente. Suspirei aliviada quando a morte o pegou sorrateira, levanto-o para o inferno, o tártaro, valhalla ou seja lá o que ele acreditava. Morreu meu medo naquela noite de outono, quando a lua de sangue iluminava o céu. Morreu meu medo quando descobri quem eu sou. Morreu meu medo com a adaga da verdade íntima do meu ser. Sangrou meu medo, banhando-me de prazer. Um prazer de ser pura e verdadeira, um prazer de medo morto.

                                                         Valéria  Mares

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Metáfora

Sou metáfora representada pelo arquétipo da fada que não sabe voar. Sim, aquela que detém todo o poder em suas diminutas mãos brancas como a lua cheia. Seus olhinhos tristes a sondar vazio, a ver suas semelhantes voando. Sou essa metáfora intercalada numa realidade escaldante e exigente. Eu não sei voar! Mas todos me cobram, me olham feio, me acham defeituosa. O mundo cobra de mim o que eu não aprendi. O mundo impõe a mim um tempo que não corresponde com o meu próprio tempo particular. Saio sozinha e me jogo num abismo, procurando dar fim a minha frágil existência defeituosa. E é ali, no desespero, no fim, que aprendo a voar, renascendo como uma lótus no lodo.





                    Valéria Mares

Eu mesma


Fujo dos padrões como o diabo foge da cruz. E não é por querer, sabe? Eu sou o que chamam de teimosa e é contra minha natureza fazer o que todo mundo faz, fazer o que esperam de mim. Minha dança é esquerda, minha religião sou eu mesma e não há quem me faça mudar. Nunca me considerei corajosa, mas olhando para o meu passado e tudo que eu vivi, concluí que ser eu mesma foi meu mais nobre ato de coragem.




                  Valéria Mares

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Dádiva feminina

Que do sangue eu me renove,
me transforme.
O sangue que dá a vida,
que cura a ferida.
O sangue da transformação,
a menstruação.
Dádiva feminina.
Sangrar sem morrer,
sangrar para fortalecer.
Teu sangue é teu poder,
não o renegue,
ou de volta ele te renegará.




                     Valéria Mares

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Anoitecer

O anoitecer é o caos mais ordenado que já vi. Aquela inquietação que não é noite nem dia me fascina. É como a adolescência, nem adulto nem criança. É como se o dia resistisse em morrer. Uma criança teimosa, ele resiste, formando o crepúsculo, o adeus da luz. É uma briga ordenada entre luz e trevas. Duas metades de um todo vital, que por um tempo se apresentam para nos contemplar com esse meio-termo. Eu sou esse meio-termo. Eu sou esse caos ordenado que não é uma coisa nem outra e, no entanto, é tudo. Por isso o anoitecer me fascina, porque se parece comigo. Porque me ajuda a preencher as lacunas de mim mesma e apreciar meu próprio crepúsculo.


        Valéria Mares

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Sou lamento

Eu sou um oceano num copo d'água. Não caibo em mim, nem nos outros. Sou a bomba atômica que está guardada e pronta para explodir. E destruir. Sou a destruição em massa, dos outros e de mim mesma. Sou a granada nas trincheiras. Aquela com um pino frouxo que, ao menor toque, matará. Sou a calmaria na superfície, enquanto afundo na confusão. Sou lamento. Autodestrutiva. Uma pura confusão.




             Valéria Mares

sábado, 25 de outubro de 2014

Recomeçar

Eu tenho sonhos, sabe? Eu, como qualquer menina, como qualquer pessoa, tenho meus sonhos e anseios. Alguns são bobos e clichês, como casar ao ar livre, ter 2 filhos. Outros são sérios e grandes, como fazer faculdade, publicar livros. Eu nunca me vi como uma pessoa incapaz de fazer essas coisas, do contrário, sempre tive tal certeza. As pessoas geralmente diziam "você consegue, você é inteligente" e eu acreditava, até hoje acredito. No entanto, quando as coisas se apertam e, enfim, chega a hora de você fazer o vestibular, editar o livro, a maioria das pessoas não te apoiam, dolorosamente são as pessoas que você mais ama e as que mais deviam te apoiar. Enfim, hoje quis falar de sonhos e eles geralmente vem acompanhados de dificuldades, seja seus pais, sua cidade, sua dificuldade em física. As coisas sempre vão querer dar errado e a gente tem que ir correndo atrás, da forma que conseguir. E, se não conseguir, adiar. Afinal, ainda existe a vida toda pela frente, o que não podemos é desistir de sonhar. Por isso, devemos recomeçar, nos renovar, deixar-nos podar, murchar, para logo depois florescer outra vez. Traçar novos objetivos, fazer das dificuldades novas oportunidades é fundamental. Só não deixe o tempo parar, nunca, valorize cada segunda da sua
existência. Vença a chuva, espere o momento certo e corra atrás do seu lugar ao Sol.





P.s.: Apenas um grito seco que quis publicar, Valéria.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Faça de mim o teu lar


Beija meu ego com tuas mentiras doces, enquanto eu te explico, com dados estatísticos, sobre os riscos do crescimento populacional. Sei que você não está nem um pouco interessado na minha pesquisa de mestrado, mas, mesmo assim, fica aqui. Me encara com teus olhos negros e curiosos, me faça perguntas, ria das minhas piadas sem graça e faça piadas de verdade para eu rir. Beba chá comigo, apesar de você preferir café, me obrigue a comer feijão "porque faz bem", apesar de eu odiar esse grão. Me fale do seu dia, do seu trabalho, do caminho de ida e volta. Me deixe ouvir sua voz todos os dias. Me chame para perto, faça de mim o teu lar.






                                    Valéria Mares

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Paranoia


Me assusto quando esses teus olhos negros se desviam dos meus. Quando você olha, assim, pensativo para o outro lado da rua. E eu vejo seu rosto se encher de uma frustração, um desejo, sabe deus do quê. Talvez você esteja cansado da minha monotonia. Revoltado com a minha prostração, minhas loucuras momentâneas. Talvez eu não seja boa para você e você seja bom demais para mim. Você, tão simples; eu, tão complexa. E você desvia seus olhos, cerra os lábios. Eu abaixo a cabeça e penso: "só não vá embora de mim,  por favor."



                              Valéria Mares

terça-feira, 6 de maio de 2014

Eu vivo pelas palavras

Vejo meus versos perdidos pela casa. Espalhados pelo chão, grudados nos grãos de poeira da estante, perdidos entre as páginas dos meus livros mal arrumados, rodopiando junto com as notas de rock progressivo que toca baixo, embalando meus devaneios. Eu me sento de frente à máquina de escrever e bebo algo, seria whisky ou chá? Não sei dizer, devo estar bêbado. Sangro aos poucos com palavras cortantes datilografadas lentamente. Sou masoquista e abuso delas. As palavras. Tento matá-las, mas não consigo. Elas me dão prazer enquanto me matam aos poucos. Eu vivo pelas palavras, e muito provavelmente morrerei por elas.



              Valéria Mares

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Desabroche

Tenho visto tanta gente se perder de si para se enquadrar em um certo padrão. Acho lamentável quando alguém renuncia à sua personalidade por outra pessoa, abandona quem está sempre do seu lado: você mesmo. É tão bonita essa tua individualidade, seu jeito só seu de ver e gostar das coisas. Não perca isso, não deixe o barco te levar, reme por si. As coisas dão mais certo quando são naturais, forçar só piora. Desabroche. Olhe em volta e veja que lindo jardim espera por você.



                                            Valéria Mares


sábado, 5 de abril de 2014

Só não mente

Só não mente. Só não fala pra mim que você se importa quando não é verdade. Não diz que tu me curte, não me elogia, não finge. Eu estou aqui para o que precisarem de mim, só exijo sinceridade.
Minha vida já foi cheia de gente falsa que quase me fez desistir das pessoas. Não faz eu desistir, porque eu sou teimosa e sempre vou acreditar de novo. Porque tem uma coisa idiota em mim que, apesar de não parecer, me faz ser doce. Então não me amarga, não me azeda. Fica comigo inteiro, ou então não fica.



                    Valéria Mares