Que a escrita me arrume da bagunça que sou,
me salve dos demônios que tenho,
me leve aonde sei que vou.
Que a escrita não me abandone,
que chame meu nome,
que faça eu me ler.
Que ela somente me deixe ser
aquele emaranhado de flor e espinho
que eu, teimosa, fui nascer.
Valéria Mares
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
Anoitecer
O anoitecer é o caos mais ordenado que já vi. Aquela inquietação que não é noite nem dia me fascina. É como a adolescência, nem adulto nem criança. É como se o dia resistisse em morrer. Uma criança teimosa, ele resiste, formando o crepúsculo, o adeus da luz. É uma briga ordenada entre luz e trevas. Duas metades de um todo vital, que por um tempo se apresentam para nos contemplar com esse meio-termo. Eu sou esse meio-termo. Eu sou esse caos ordenado que não é uma coisa nem outra e, no entanto, é tudo. Por isso o anoitecer me fascina, porque se parece comigo. Porque me ajuda a preencher as lacunas de mim mesma e apreciar meu próprio crepúsculo.
Valéria Mares
Valéria Mares
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Doente de alma
Valéria Mares
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Eu moro na palavra
Às vezes sei tanto que não sei dizer o que sei.
Palavras são abismos,
suaves rabiscos
do buraco negro que me tornei.
Minha casa é o verso,
sem telhado,
sem concreto.
onde ventila e chove letra
direto da ponta da caneta.
Sou pequena e sou grande,
sou poesia insinuante.
Eu moro na palavra,
sou tudo, quando o mundo me reduz a nada.
Valéria Mares
Palavras são abismos,
suaves rabiscos
do buraco negro que me tornei.
Minha casa é o verso,
sem telhado,
sem concreto.
onde ventila e chove letra
direto da ponta da caneta.
Sou pequena e sou grande,
sou poesia insinuante.
Eu moro na palavra,
sou tudo, quando o mundo me reduz a nada.
Valéria Mares
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Sou lamento
Eu sou um oceano num copo d'água. Não caibo em mim, nem nos outros. Sou a bomba atômica que está guardada e pronta para explodir. E destruir. Sou a destruição em massa, dos outros e de mim mesma. Sou a granada nas trincheiras. Aquela com um pino frouxo que, ao menor toque, matará. Sou a calmaria na superfície, enquanto afundo na confusão. Sou lamento. Autodestrutiva. Uma pura confusão.

Valéria Mares

Valéria Mares
sábado, 25 de outubro de 2014
Recomeçar
Eu tenho sonhos, sabe? Eu, como qualquer menina, como qualquer pessoa, tenho meus sonhos e anseios. Alguns são bobos e clichês, como casar ao ar livre, ter 2 filhos. Outros são sérios e grandes, como fazer faculdade, publicar livros. Eu nunca me vi como uma pessoa incapaz de fazer essas coisas, do contrário, sempre tive tal certeza. As pessoas geralmente diziam "você consegue, você é inteligente" e eu acreditava, até hoje acredito. No entanto, quando as coisas se apertam e, enfim, chega a hora de você fazer o vestibular, editar o livro, a maioria das pessoas não te apoiam, dolorosamente são as pessoas que você mais ama e as que mais deviam te apoiar. Enfim, hoje quis falar de sonhos e eles geralmente vem acompanhados de dificuldades, seja seus pais, sua cidade, sua dificuldade em física. As coisas sempre vão querer dar errado e a gente tem que ir correndo atrás, da forma que conseguir. E, se não conseguir, adiar. Afinal, ainda existe a vida toda pela frente, o que não podemos é desistir de sonhar. Por isso, devemos recomeçar, nos renovar, deixar-nos podar, murchar, para logo depois florescer outra vez. Traçar novos objetivos, fazer das dificuldades novas oportunidades é fundamental. Só não deixe o tempo parar, nunca, valorize cada segunda da sua
existência. Vença a chuva, espere o momento certo e corra atrás do seu lugar ao Sol.
P.s.: Apenas um grito seco que quis publicar, Valéria.
existência. Vença a chuva, espere o momento certo e corra atrás do seu lugar ao Sol.
P.s.: Apenas um grito seco que quis publicar, Valéria.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Quem dera-me
Quem dera-me ver teu rosto,
mesmo que num esboço.
Um borrão desconexo,
mal pintado,
incerto.
Do teu semblante, uma fagulha,
dos teu olhos, uma pintura.
Quem dera-me ter você todos os dias,
para dividir as alegrias.
Ter-te ao meu lado,
mesmo que seja mal pintado,
mesmo que não emoldurado,
mesmo que não de verdade,
só para a minha necessidade
quase louca,
quase rouca.
de você.
Valéria Mares
mesmo que num esboço.
Um borrão desconexo,
mal pintado,
incerto.
Do teu semblante, uma fagulha,
dos teu olhos, uma pintura.
Quem dera-me ter você todos os dias,
para dividir as alegrias.
Ter-te ao meu lado,
mesmo que seja mal pintado,
mesmo que não emoldurado,
mesmo que não de verdade,
só para a minha necessidade
quase louca,
quase rouca.
de você.
Valéria Mares
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Faça de mim o teu lar
Valéria Mares
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Na doçura dessa vida amarga
Na doçura dessa vida amarga,
encontrei meu encanto de ser poeta.
E vivi,
Sofri.
Te vi.
Te amei.
Nas estradas desse caminho selvagem,
encontrei a floresta das palavras.
E corri.
Segui.
Te quis
pra mim.
Nas águas secas desse mar de pessoas,
encontrei teu rosto em versos.
Concretos.
Incertos.
Em mim,
assim.
Valéria Mares
encontrei meu encanto de ser poeta.
E vivi,
Sofri.
Te vi.
Te amei.
Nas estradas desse caminho selvagem,
encontrei a floresta das palavras.
E corri.
Segui.
Te quis
pra mim.
Nas águas secas desse mar de pessoas,
encontrei teu rosto em versos.
Concretos.
Incertos.
Em mim,
assim.
Valéria Mares
sábado, 9 de agosto de 2014
Enfim
Chora tuas palavras no papel amassado do meu coração.
Me veste com tua poesia,
me faça explodir com tua canção.
Borra meu corpo com teus lamentos, teus contornos.
Me pinta com tinta,
me enche de adornos.
Grava teus versos em mim,
pra eu ser tua, enfim.
Valéria Mares
Me veste com tua poesia,
me faça explodir com tua canção.
Borra meu corpo com teus lamentos, teus contornos.
Me pinta com tinta,
me enche de adornos.
Grava teus versos em mim,
pra eu ser tua, enfim.
Valéria Mares
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