quinta-feira, 6 de junho de 2013

Há males que vem para o bem

Quando eu era mais nova (mais nova do que sou atualmente, rs), não entendia o sofrimento .Era só uma maré ruim chegar para eu me fechar no meu mundo de tristeza e solidão, tive até uma fase meio gótica, que não gosto nem de lembrar.
Com o tempo, fui percebendo que os tropeços impulsionam (Agridoce) e que a gente deve sempre seguir em frente. Cheguei a um ponto de reflexão em que analisei tudo que acontecia ao meu redor e cheguei a uma conclusão óbvia: há males que vem para o bem. Você nunca verá o arco-íris se não esperar a chuva passar. E foi assim que eu aprendi a viver, um dia de cada vez, sempre com esperança de que tudo melhore se a situação está ruim.

É preciso ter fé e continuar a caminhar. Então, percebemos que não são os problemas que diminuem, a gente é que cresce.


    Valéria Mares

domingo, 2 de junho de 2013

Eu sou poesia


A poesia habita em mim,
Eu sou poesia.
Meus olhos a refletem,
Meus lábios a proferem,
Meus dedos a escrevem.

Eu sou poesia.
Meus coração a transborda
Em palavras cor de maresia
Que minha alma suporta
Até o momento de deixar fluir.

Eu sou poesia.
A poesia me compõe,
Me pesa, me cansa,
Mas também me liberta, me encanta.





                 Valéria Mares

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Autocrítica

Sempre fui muito crítica comigo mesma. Nunca conseguia ser boa o bastante para mim e, hoje, parei para refletir a respeito disso. Por muito tempo, eu me odiei, me autodepreciei. Não conseguia me aceitar. Parei e refleti: isso vale a pena? Lembro de ter lido no meu mangá preferido que "aqueles que não aceitam a si mesmos, estão destinados a falhar". E concordo, pois meu próprio medo de não conseguir me levou ao fracasso muitas vezes, em um terrível ciclo de ódio próprio. Mas aprendi com o tempo, que ninguém pode mudar por mim e que o sucesso depende muito da fé também. Se eu não acreditar em mim, quem mais fará isso? Despertei dessa babaquice de tentar ser perfeita e fui ser feliz. Aceitei meus defeitos, minhas falhas e busquei melhorar. Encontrei alguém que me ama do jeito que sou e acredita em mim. Enfim, comecei a viver de forma plena e, como o Pink Floyd me ensinou, não devemos ser apenas outro tijolo no muro.  :)



         Valéria Mares

quarta-feira, 27 de março de 2013

Uma noite fria de agosto

Era uma noite fria de agosto. Não se sabe ao certo como ela fora parar ali. O fato é: ela era uma menina e estava sozinha a vagar pela cidade numa noite fria de agosto. Sem quê, nem porquê, sem onde ou para onde. Sua mente era como uma TV mal sintonizada. Não via nem ouvia nada, não pensava nada, apenas caminhava pelas ruas mal iluminadas e sombrias da cidade.
Subitamente, ela riu. Uma risada histérica e incomum. Não achava graça em nada e não sabia porquê ria. Sentiu um fragmento de raciocínio em sua mente e questionou sua própria sanidade. Estava louca? Certamente. Rio de novo, cedendo à própria loucura.
Era estranho não pensar mas, ao mesmo tempo, era um alívio.
Lembrava-se de sentir muita dor no coração, de ter chorado muito. Por que havia chorado? Por que sentira dor? Aliás... Queria mesmo saber? Não. Não queria. Queria permanecer eternamente nesse estado de torpor anestésico insano. Era bom. Ela ria. E continuava a vagar pela cidade, absorvendo e esquecendo. Num ciclo confortável.





           Valéria Mares

Solitário professor

O céu era de um azul profundo e inspirador, o cheiro de água salgada entrava por suas narinas enquanto ele caminhava. O mar ia e vinha, molhando seus pés doloridos e cansados. Sentou. Suspirou. Como é belo, pensou. Não se cansava de ver e admirar aquela imensidão azul poderosa. Lembrou-se da conversa que tivera com uma colega de trabalho na semana anterior.
"Estou preocupada contigo." Ela dissera corando.
"Como é?"
Vejo você sempre sozinho, parece cada vez mais solitário. Queria poder fazer algo..." Ela estava ainda mais vermelha.
Ela se importava com ele, parecia amá-lo. Mas ele não podia iludir ninguém. Ainda mais uma moça tão bondosa e bonita como ela. Ele era apenas um homem jovem com alma de velho que acostumou-se a viver sozinho em seu apartamento modesto que só continha em abundância os livros.
"Não se preocupe." Ele tentara sorrir. "Eu fico bem, sempre fico."
Ela balançara a cabeça, não parecendo convencida, e se fora.
Se fora.
Como todos.
Todos que ele deixou ir, que ele afastou intencionalmente ou não.


Ali, sentado à beira do mar, ele sentia todo o peso da solidão. Solidão que ele procurou por tanto tempo e, agora, corroía-o de dentro para fora.




Abraçou os joelhos procurando conforto. Não encontrou. Seus próprios sentimentos o sufocavam, o traíam. Encarou o mar, admirando-o mais uma vez. Sempre vinha vê-lo quando se sentia dessa forma. Mas hoje... Até o mar parecia empurrá-lo para seu abismo interior.
Levantou-se e começou a caminhar de volta para o seu modesto apartamento, continuar com sua modesta vida de solitário professor.





                                    Valéria Mares

quarta-feira, 20 de março de 2013

Definição de amor

O amor é um sentimento resultante de uma série de experiências e conhecimento sobre outra pessoa. Se manifesta de várias formas e pode ocorrer em diversas ocasiões.
Há quem diga que o amor não existe. Ele existe sim. Porém, hoje em dia, está cada vez mais raro. As pessoas se iludem ou, simplesmente, se satisfazem com paixões vazias e passageiras baseadas apenas em contatos físicos.
O amor é muito complexo e pode trazer felicidade, mas, também, dor. É preciso saber amar de verdade. Encontrar a felicidade individual e à dois. Saber que amor vai muito além de beijos, é compreensão, cuidado e companheirismo.





    Valéria Mares

"Eu"

Eu tenho medos ridículos,
Tristezas dolorosas,
Agonias nostálgicas.
Eu sinto falta,
E falta dói.
Eu me encontro sozinha,
Sob a chuva de verão.
Eu ouço o vento sussurrar,
Eu entendo o mar.
Eu me completo sozinha,
Mas eu quero transbordar.
Eu sinto a dor
E a transformo em poesia.
A dor de amar,
A falta.





                     Valéria Mares

terça-feira, 5 de março de 2013

Sonhar

Deitar
Sentir falta
Adormecer
Sonhar.





               Valéria Mares

segunda-feira, 4 de março de 2013

Sempre em frente

A vida é muito curta para ficar lamentando erros passados porque, afinal, a gente caminha é para frente. Sempre em frente.





                     Valéria Mares

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A beleza e a sensibilidade

Então, ali estava eu: sentada em um banco de uma praça qualquer, embaixo de uma árvore qualquer, num momento de reflexão e tormenta qualquer. O livro em minhas mãos tremia, meu peito cansado estava apertado. Pessoas passavam por mim, ignorando-me completamente. Como não conseguiam ver? Eu estava em choque, um choque de realidade. Será que, como eu pensei, nesse mundo de merda só há pessoas insensíveis? Sim. A resposta rodopiava em minha mente. Eu estava paralisada de pavor. Minha própria antissocialidade é prova disso. Insensibilidade me enoja, não sei viver sem apreciar os detalhes, a beleza... Mas não vejo beleza nas pessoas, nesse amontoado de robôs idiotas e alienados, nesses humanos sem humanidade, nessas cidades lotadas e vazias ao mesmo tempo. É ridiculamente irônico como, quanto mais cheio é um lugar, mais solitárias as pessoas são, menos se importam umas com as outras, mais hipócritas são se considerando "boas pessoas", mas se recusam a ver o quão miserável é o mundo em que vivem, ignoram um mendigo, um pobre cachorro abandonado, ma criança com fome... Não faço parte disso, eu pensei. Será? Não é por ninguém em particular que passei a pensar dessa forma, é simplesmente repulsa pela futilidade humana.

Um movimento ao meu lado me arrancou do torpor de pensamentos. Um rapaz bonito usando uma camisa do Pink Floyd havia se sentado ali e me encarava. "Está tudo bem?" ele perguntou. "Você... você parece estar sofrendo..." Eu estava chocada e o rapaz pareceu ter percebido isso, sua expressão ficou ainda mais... preocupada? Isso mesmo? Impossível...
Naquele instante, algo magnífico aconteceu: eu olhei em seus olhos escuros e vi uma beleza pura e única, vi também _ pode acreditar _ sensibilidade. Eu mal podia crer. Eu pude ver sua alma, era tão bela ... tão cheia de vida e bodade. Ele era lindo, tanto por fora quando por dentro. Todo o meu tormento pela humanidade se fora. Ele era diferente, mesmo que fosse o único, ele era uma esperança, uma vela ardente em um mundo escuro e frio. "Agora estou", respondi. Ele sorriu. O sorriso mais sincero e poderoso que eu já vi. Uma esperança queimou dentro de mim. O acaso tem um senso de humor estranho. A beleza estava diante de mim, nem tudo está perdido. Ele era como eu e eu soube que poderiam existir outros. O bem atrai o bem, a gente só tem que aprender a reconhecer.



                            Valéria Mares