sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Sobre ser

Eu sou o que você teme, mas, ao mesmo tempo, admira. Eu sou a coragem que você reprime, o impulso contido e sufocado dentro de você. Me julgas por não conseguires ser como eu, por não conseguir se libertar, como eu. Eu sou o que destrói seu ego, esmaga sua confiança, nada em tuas lágrimas com calma e tranquilidade. Não te quero mal, só quero que aprenda, que seja. Gente que é deixa os outros serem também. Gente incapaz de ser atormenta quem tem essa ousadia. Eu sou eu mesma e isso te incomoda.
Seja e deixe ser. Descubra teu interior e mergulhe nele sem medo ou receio, sem culpa, sem ouvir conselho. Meu medo é o mundo de farsas, de máscaras que podem ou não cair. Meu medo é de ser verdadeira em um mundo de mentiras.




Valéria Mares

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Impostor

Não sou eu,
você se enganou.
Desculpe, senhora,
mas eu sou um impostor.

Não fui eu,
você está errado.
Com licença, rapaz,
mas eu estava do outro lado.

Sim, agora sou eu.
O que errou, o que sofreu.
O falho, o impostor,
não digno de tanto amor.

Impostor, fui eu a usurpar.
Não mereço aqui estar.
De mim, só sinto rancor
de ser sempre um impostor.


  Valéria Mares.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Perdas

Se dizia poeta,
mas perdia as palavras.
Se dizia bonita,
mas perdia os reflexos.
Se dizia feliz,
mas perdia os sorrisos.
Se dizia forte,
mas perdia a coragem.
Se dizia inteligente,
mas perdia as contas
de quantas perdas
teve que enfrentar.




       Valéria Mares

Olhos em fogo

Queima,
em brasa.
Quebra
a taça.
Grita, esperneia.
Incendeia
sua raiva contida,
sua mente contrita.
Olhos em fogo
para a nudez do corpo.
É tudo uma trapaça,
a visão embaçada.
Não vê a dor,
tudo é calor.
Lábios em chamas,
olhos em fogo.
Queima.
Estou em brasa,
queimada pela sua falta.
Mas a dor tem sua graça.
O amor pode queimar,
a dor, incendiar.




                     Valéria Mares

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Chuva de lembranças

A chuva me lembrava das noites em que passávamos na janela do seu apartamento vendo as luzes da cidade, ouvindo buzinas e aviões decolando. Tua voz era mansa a me contar histórias da infância, travessuras que nunca vou esquecer. Nossos risos ecoam na minha mente enquanto cada lembrança cai como gota de chuva na minha memória. Saudade é como um temporal em cima da gente, aquele desconforto gelado no coração de quem perdeu algo importante pelas ruas ensopadas e desertas de uma cidade cheia.

                       Valéria Mares


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Promessas não me satisfazem

E promessas não me satisfazem mais como antigamente. Tudo que eu fazia era sonhar, imaginar e para mim já estava bom. Mas, hoje, vendo o passar dos anos e o correr do mundo, nada disso significa mais nada. Sonhos só são bons quando se tornam metas. E minha meta hoje é parar de imaginar e colocar as coisas em prática de uma vez. Não me faça promessas, elas não me tocam mais. Palavras, escritas ou faladas, não tem poder sozinhas. Por isso, guardo meus sonhos em caixinhas, prontas para serem abertas quando cada chance surgir.






                     Valéria Mares

sábado, 25 de abril de 2015

Paraíso negro


Não sentia vontade de escrever, nem de fazer nada. Era uma daquelas dores que te fazem engasgar com lágrimas sem motivo. Uma dor sem motivo, que mata e faz descer ao fundo do posso. Sozinha, sempre sozinha. Sozinha nas batalhas e guerras, contando apenas com ela mesma e suas preparações. Derramando sangue sem apoio, sem consolo. E ninguém entende sua dor. E ninguém diz. E ninguém sabe. E todos se vão uma hora ou outra, inventando motivos, inventando desculpas. Sozinha de novo. Vivendo num paraíso negro de dores sem sentido.




                              Valéria Mares

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Lua da poesia

Sou a lua da poesia.
Na nova sou papel em branco;
na crescente sou ponta de caneta;
na cheia sou verso sufocado
e na minguante, sou estrofe morta.







                   Valéria Mares





sábado, 18 de abril de 2015

Escrever não é talento

Escrever não é talento, é castigo. É comer e não poder engolir, ter que vomitar. É ferida que não sara e sangra em versos. Escrever é ver cada pequena coisa do mundo penetrar-lhe o âmago, afiadas. Escrever é o preço que se paga por enxergar o mundo. É como olhar para o sol e, mesmo com a dor, continuar a olhar. Escrever é tortura com gosto de café amargo. Escrever não é talento, é um carma que todo aquele que sente sua humanidade plenamente tem que pagar.





                     Valéria Mares

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O tempo

Não sou muito de escreve textos motivacionais e essas coisas, mas há momentos na vida em que nos sentimos tão plenos e inteiros que escrever sobre qualquer outra coisa é quase impossível. Começo falando sobre o tempo, o grande Deus que rege nossas vidas, Cronos. O julgamos tão mal, não acham? Logo aquele que mais nos ensina, nosso grande professor. O tempo me ensinou que o mundo gira, que as coisas se movem, oscilam. Então, deixe que o tempo passe, deixe que sua fúria o consuma, como me consumiu. Os anos me ensinaram serenidade, plenitude e paciência. Com o tempo eu descobri que nem tudo é matéria, que a mente envelhece mais rápido. Hoje minha mente tem 70 anos e volta e meia me diz a coisa certa a fazer. Ame o tempo, valorize-o. Ninguém é feliz em cada segundo, mas todos nós podemos tornar cada segundo mais feliz, apena olhando para eles com olhos ternos. Nesse instante, escrevendo esse texto, estou feliz. Quanto ao próximo, só
o tempo me mostrará.



                   Valéria Mares